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Contexto: A interrupção circadiana surgiu como um fator de risco significativo para o câncer, impulsionada por mecanismos como desequilíbrios hormonais, reparo de DNA comprometido, supressão imunológica e desregulação metabólica. Padrões sociais modernos - trabalho em turnos, luz artificial à noite e horários de sono irregulares - exacerbaram esses riscos. Métodos: Realizamos uma revisão sistemática seguindo as diretrizes dos Itens de Relato Preferenciais para Revisões Sistemáticas e Metanálises (PRISMA), selecionando mais de 500 estudos publicados entre 2003 e 2023 de PubMed, Scopus, Embase, ScienceDirect e Web of Science. Os critérios de inclusão focaram em estudos epidemiológicos e mecanísticos revisados por pares que ligam a interrupção circadiana ao risco de câncer. A Escala Newcastle-Ottawa foi utilizada para a avaliação da qualidade metodológica. Resultados: Um total de 75 estudos de alta qualidade foram incluídos. Evidências fortes apoiam associações entre interrupção circadiana e câncer de mama, próstata e colorretal, com evidências limitadas mas emergentes para melanoma e câncer de bexiga. Os caminhos mecanísticos envolvem supressão de melatonina, desregulação dos genes CLOCK e BMAL1, redução da atividade de células assassinas naturais e inflamação crônica devido a desequilíbrio metabólico. Exposição à luz à noite (LAN) e trabalho prolongado em turnos noturnos foram identificados consistentemente como fatores de risco principais. Além disso, análises econômicas revelam um ônus substancial devido ao aumento dos custos de saúde e perdas de produtividade, particularmente em setores dominados por trabalho em turnos. Conclusões: O desalinhamento circadiano é um contribuinte crítico, mas muitas vezes negligenciado, para a incidência de câncer e os ônus econômicos associados. Estratégias de saúde pública - como a regulação de horários de turnos, redução da exposição à LAN e promoção da cronoterapia - são essenciais para mitigar esses riscos. Pesquisas futuras devem abordar diferenças baseadas em sexo, melhorar a medição da exposição e expandir investigações para países de baixa e média renda.
Clemente‐Suárez et al. (Sex,) estudaram essa questão.
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