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A Guerra Fria foi substituída por um mundo pós-bipolar, que está se transformando em policentrismo (multipolaridade). Apesar da incerteza quanto a seus parâmetros finais e pilares estruturais, é possível afirmar que a fase atual das relações internacionais possui duas características principais: desglobalização seletiva e uma nova rodada de competição entre grandes potências. Forças centrífugas no século XXI provaram ser mais fortes do que a necessidade de consolidação frente a desafios universais: terrorismo internacional, mudanças climáticas, pandemias, etc. Além de contradições econômicas e políticas, interpretações opostas dos interesses de segurança nacional, a esfera de competição de valores emergiu e está passando por um processo de reestruturação. A tarefa desta pesquisa é determinar se as narrativas de valores e as ideologias acompanhantes são razões ou consequências da escalada das tensões no triângulo “Rússia - EUA - UE”. O autor compara o papel dos antagonismos de valores hoje com o período do confronto soviético-americano dos paradigmas do capitalismo e socialismo. A pesquisa mostra que a retomada da competição geopolítica não resulta da incompatibilidade de certos modelos socioeconômicos, mas de uma luta pela liderança no sistema de governança e regulação global. No curso dessa luta, o discurso de valores, que em geral tem uma base objetiva, está exposto com o tempo a uma profunda securitização e geopolítica, levando à construção de antagonismos: “democracias - autocracias” e “pseudo-valores - valores tradicionais”. Nota-se que o uso hipertrofiado das diferenças de valores, com toda a sua objetividade, pode evoluir da função de interação cultural para um fator auto-perpetuante de contradições interestatais, o que dificulta a avaliação adequada dos recursos e potenciais nacionais e estrangeiros.
Alexey Gromyko (Quarta-feira,) estudou essa questão.