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FUNDAMENTO: A qualidade nutricional das sojas (Glycine max) é comprometida por uma deficiência relativa de metionina na fração proteica das sementes. Para melhorar a qualidade nutricional, a albumina 2S rica em metionina da noz do Brasil (Bertholletia excelsa) foi introduzida em sojas transgênicas. Como a noz do Brasil é um alimento alérgico conhecido, avaliamos a alergenicidade da albumina 2S. MÉTODOS: A capacidade das proteínas em sojas transgênicas e não transgênicas, nozes do Brasil e albumina 2S purificada de se ligar à IgE no soro de indivíduos alérgicos a nozes do Brasil foi determinada por testes de radioalergossorção (4 indivíduos) e eletroforese em gel de poliacrilamida com dodecil sulfato de sódio (9 indivíduos) com imuno-transferência e autoradiografia. Três indivíduos também realizaram teste de picada na pele com extratos de soja, soja transgênica e noz do Brasil. RESULTADOS: Nos testes de radioalergossorção com soro agregado de quatro indivíduos alérgicos a nozes do Brasil, extratos proteicos de soja transgênica inibiram a ligação da IgE às proteínas da noz do Brasil. Na imuno-transferência, a IgE do soro de oito dos nove indivíduos se ligou à albumina 2S purificada da noz do Brasil e da soja transgênica. No teste de picada na pele, três indivíduos apresentaram reações positivas a extratos de noz do Brasil e soja transgênica e reações negativas a extrato de soja. CONCLUSÕES: A albumina 2S é provavelmente um alérgeno principal da noz do Brasil, e as sojas transgênicas analisadas neste estudo contêm essa proteína. Nosso estudo mostra que um alérgeno de um alimento conhecido por ser alergênico pode ser transferido para outro alimento por meio de engenharia genética.
Nordlee et al. (Qui,) estudaram esta questão.