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Embora várias iniciativas de prevenção do jogo tenham sido realizadas com adolescentes, muitas delas foram desenvolvidas na ausência de um modelo teórico claro e explicitamente descrito. O presente trabalho teve como objetivo analisar a adequação de um modelo para explicar o comportamento de jogo em relação às distorções cognitivas relacionadas ao jogo (Estudo 1) e verificar a eficácia de uma intervenção preventiva desenvolvida com base neste modelo (Estudo 2). Seguindo teorias de processos duais sobre funcionamento cognitivo, no Estudo 1 testamos um modelo em que a lacuna de conhecimento, ou seja, a suscetibilidade à falácia do jogador, e a contaminação mental, ou seja, o pensamento supersticioso, eram os antecedentes das distorções cognitivas relacionadas ao jogo que, por sua vez, afetam a frequência de jogo e o jogo problemático. Os participantes foram 306 adolescentes do sexo masculino (Idade média = 17,2 anos). Uma análise de caminhos indicou que as distorções cognitivas têm um papel mediador na relação que liga a falácia do raciocínio probabilístico e o pensamento supersticioso com o jogo problemático. Com base nessas descobertas, no Estudo 2 desenvolvemos uma intervenção escolar com o objetivo de reduzir as distorções cognitivas relacionadas ao jogo, atuando sobre os problemas de conhecimento citados acima. Um desenho de pré e pós-teste - com um acompanhamento de seis meses - foi realizado com 34 adolescentes do sexo masculino (Idade média = 16,8), designados aleatoriamente para dois grupos (Treinamento e Sem Treinamento), e sua equivalência inicial foi verificada. Uma ANOVA Misturada 2 X 2 atestou uma interação significativa entre Tempo e Grupo, indicando uma redução significativa das distorções cognitivas do pré-teste para o pós-teste somente no grupo de Treinamento. O acompanhamento atestou a estabilidade dos efeitos do treinamento e a redução da frequência de jogo ao longo do tempo. Esses resultados sugerem que estratégias de prevenção devem abordar problemas de conhecimento, que podem ser considerados como preditores das distorções cognitivas relacionadas ao jogo.
Donati et al. (Sex,) estudaram esta questão.