A Romênia pós-comunista apresenta um paradoxo marcante: um país com mais igrejas do que escolas, onde mais de 85% dos cidadãos se identificam como ortodoxos, mas onde a pesquisa sociológica documenta a lenta erosão da crença, prática e ética cristãs — especialmente entre as gerações mais jovens. Este artigo argumenta que o paradoxo não é acidental. Através do nacionalismo religioso, retórica compensatória pós-comunista, religiosidade cerimonial e proximidade com agendas políticas, a Igreja Ortodoxa, inadvertidamente, cultiva as condições para a secularização que tenta resistir. Um novo conceito é proposto para nomear essa dinâmica: legitimação horizontal — a mudança que ocorre quando uma igreja justifica sua relevância pública não pela verdade escatológica de sua vida eucarística, mas pela utilidade social, função nacional ou alinhamento político. Baseando-se na teoria sociológica, teologia ortodoxa e erudição missiológica, o artigo mapeia esses mecanismos e propõe uma resposta fundamentada na recuperação da identidade escatológica da Igreja.
Cristian-Sebastian Sonea (Sáb,) estudou essa questão.