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Mesmo aqueles cientes da atitude ambivalente de Nietzsche (mais do que puramente negativa) em relação a Platão tendem a aceitar a visão de Nietzsche sobre Platão e ele mesmo como ocupando os polos da filosofia. Muito do que Nietzsche diz apoia essa visão, mas não precisamos levá-lo ao pé da letra. Considero Nietzsche e Platão em três planos: sua visão da verdade, sua visão da filosofia e seu uso de certas figuras emblemáticas (o Novo Filósofo, o Filósofo Rei) como portadores do futuro da filosofia. Nestes planos, Nietzsche e Platão podem ser vistos como notavelmente próximos e juntos fora de grande parte da tradição que os separa. Em defesa dessas afirmações, (1) faço uma distinção em Platão entre uma teoria absolutista da verdade e uma que trata a verdade como situada e parcial; (2) interpreto o perspectivismo de Nietzsche como uma teoria ética da verdade (uma teoria que é, como a teoria situada de Platão, não substantiva e não equivalente ao pragmatismo); (3) afirmo que tanto o Filósofo-Rei quanto o Novo Filósofo têm a tarefa de equilibrar entre o absolutismo e o niilismo; (4) e a partir dessas tensões, extraio uma imagem da filosofia como um processo inerentemente instável.
David Simpson (Ter,) estudou essa questão.