Key points are not available for this paper at this time.
A carreira de rotulação do grupo armado libanês e partido político Hizbullah é um caso interessante para investigar as consequências epistemológicas da política de nomenclatura. Desde sua criação em meados da década de 1980, o Hizbullah tem sido alvo do desprezo, principalmente de formuladores de políticas e analistas dos EUA e de Israel, por ser uma organização terrorista arquetípica. O Hizbullah tem sido surpreendentemente bem-sucedido em alcançar seus objetivos declarados e em suportar o ataque verbal e militar contra si. Embora não seja a intenção reduzir as explicações para a durabilidade do Hizbullah à política discursiva, este artigo sugere que tanto a rotulação do Hizbullah como terrorista quanto, inversamente, sua identificação como uma força política ‘libanizada’ que está prestes a se converter em um partido político não armado são enganosas e incapazes de abranger as complexidades dessa organização. Na verdade, tanto os rótulos de ‘terrorista’ quanto ‘libanizado’ produzem uma qualidade de conhecimento inferior àquela produzida pela própria conceptualização do Hizbullah de seus inimigos. Mas, mais importante, o debate sobre a suposta natureza terrorista do Hizbullah obscureceu várias de suas características que muitos deveriam registrar antes de julgar. Nossa análise mostra que a variedade de instituições que o Hizbullah tem cuidadosamente elaborado e readaptado ao longo das últimas duas décadas no Líbano opera hoje como uma rede holística e integrada que produz conjuntos de valores e significados embutidos em um quadro religioso e político inter-relacionado — o da wilayat al-faqih. Esses significados são disseminados diariamente entre as constituências xiitas por meio das redes institucionalizadas do partido e servem para mobilizá-las na ‘sociedade da Resistência’ (mujtamaa’ al-muqawama), que é a base da hala al-islamiyya (esfera islâmica) no Líbano. Assim, qualquer perspectiva de transformação do Hizbullah para longe da ‘resistência’ armada deve ser firmemente situada em uma análise de sua hegemonia entre os xiitas do Líbano e das ferramentas que utiliza para adquirir e sustentar esse status.
Harb et al. (Sáb,) estudaram esta questão.