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À medida que as teorias científicas de racismo do século XIX buscavam justificar a escravidão e a opressão por meio da desumanização de pessoas negras, argumentos abolicionistas populares frequentemente enfatizavam a humanidade das pessoas negras escravizadas ao compará-las a pessoas brancas livres, mais comumente na figura do(a) herói/heroína mestiço(a). Outros argumentos abolicionistas, no entanto, empregavam animais como pontos de referência familiar, em comparações entre espécies que não apenas repetiam ideologias racistas, mas solicitavam simpatia interracial. Este ensaio analisa a literatura infantil abolicionista que adotou uma estratégia de "humanismo animal", utilizando animais domesticados para mediar a simpatia de seus leitores por pessoas escravizadas. Concentrando-se nas retóricas paralelas de espécie e raça na literatura infantil, o ensaio centraliza sua discussão na revisão abolicionista do romance The Lamplighter (1854), de Maria Susanna Cummins, em The Lamplighter Picture Book (1855), em outras obras da literatura infantil abolicionista e em charges políticas nas quais a espécie e a diferença racial figuram. Como os animais de estimação são interpretados como domesticados e domésticos nesses textos, a possibilidade de parentesco entre espécies apresenta uma relação de proximidade mais familiar do que o parentesco interracial. A atenção a esses usos de animais domesticados revela as limitações da simpatia que é mais facilmente mediada pela espécie do que pela raça. No entanto, leituras do animal não apenas como algo familiar, mas como parte da família, abrem novas possibilidades para uma simpatia abolicionista que possui potencial antirracista em sua capacidade de ser mediada por meio de posições reconhecidas de diferença, em vez de uma dependência da semelhança.
Brigitte Fielder (Sun,) estudou essa questão.