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Dado seu fardo associado de doenças, as mudanças climáticas na África do Sul podem ser recontextualizadas predominantemente como uma questão de saúde, uma que requer uma resposta urgente do setor de saúde. O crescente impacto das mudanças climáticas tem grandes implicações para a África do Sul, especialmente para os numerosos grupos vulneráveis no país. Revisamos sistematicamente a literatura pesquisando no PubMed e Web of Science. Dos 820 artigos analisados, 34 foram identificados que avaliaram os impactos das mudanças climáticas na saúde no país. A maioria dos artigos abordou os efeitos do calor na saúde ou em doenças infecciosas (20/34; 59%). Nossos achados indicam que eventos climáticos extremos são os efeitos mais notáveis até o momento, especialmente secas na Cidade do Cabo, mas o aumento das doenças transmitidas por vetores está ganhando destaque. A anomalia climática também está ligada de inúmeras maneiras a surtos de doenças alimentares e de água, e possivelmente à recente epidemia de Listeria. Os potenciais impactos das mudanças climáticas na saúde mental podem agravar os múltiplos estressores sociais que já afligem a população. As mudanças climáticas aumentam as vulnerabilidades pré-existentes de mulheres, comunidades pesqueiras, agricultores rurais de subsistência e aqueles que vivem em assentamentos informais. Mais disparidades de gênero, eco-migração e interrupções sociais podem prejudicar a prevenção – mas também o tratamento – do HIV. Nossos achados sugerem que uma pesquisa focada e o uso eficaz de dados de vigilância são necessários para monitorar os impactos das mudanças climáticas; forças tradicionais do setor de saúde do país. O setor de saúde, até então um ator marginal, deve assumir um papel de liderança maior na promoção de políticas que protejam a saúde pública, abordem desigualdades e avancem os compromissos do país com os acordos sobre mudanças climáticas.
Chersich et al. (Sex,) estudaram essa questão.