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ANTECEDENTES E OBJETIVO: O papel das anomalias de lipoproteínas no desenvolvimento da doença cerebrovascular isquêmica não foi suficientemente esclarecido. O objetivo deste estudo foi identificar o perfil lipoproteico na doença cerebrovascular isquêmica e o possível papel do polimorfismo da apolipoproteína E. MÉTODOS: A relação entre as concentrações de lipoproteína(a), lipoproteínas de densidade intermediária, apolipoproteína A-I, apolipoproteína B, apolipoproteína E e outras lipoproteínas foi estudada em 100 homens com doença cerebrovascular isquêmica (48 aterotrombóticos, 28 lacunares e 24 de tipo desconhecido) e em 100 homens saudáveis pareados por idade como grupo controle. RESULTADOS: Os pacientes com doença cerebrovascular isquêmica apresentaram níveis significativamente mais altos de lipoproteína(a), lipídios transportados por lipoproteínas de densidade intermediária e colesterol de lipoproteína de baixa densidade, e níveis mais baixos de lipoproteínas de alta densidade do que os sujeitos controle. Os pacientes com infarto aterotrombótico tiveram concentrações mais altas de colesterol total no soro e colesterol de lipoproteína de baixa densidade do que os pacientes com infarto lacunar. Para avaliar anomalias de lipoproteínas em indivíduos normolipidêmicos, um subgrupo de 38 pacientes com doença cerebrovascular isquêmica e 53 sujeitos controle, ambos com níveis de colesterol serológico < 5,2 mmol/l (200 mg/dl) e triglicerídeos < 2,3 mmol/l (200 mg/dl), foi analisado. A lipoproteína(a) sérica, os lipídios transportados por lipoproteínas de densidade muito baixa e lipoproteínas de densidade intermediária, e os triglicerídeos de lipoproteína de baixa densidade estavam significativamente mais altos em pacientes normolipidêmicos em comparação com sujeitos controle normolipidêmicos, enquanto os níveis de colesterol de lipoproteína de alta densidade estavam mais baixos. O polimorfismo da apolipoproteína E nos nossos pacientes com doença cerebrovascular isquêmica diferiu do do grupo controle, com o alelo epsilon 4 sendo mais prevalente. CONCLUSÕES: Níveis elevados de lipoproteína(a) sérica e anomalias de lipoproteína de densidade intermediária, juntamente com níveis reduzidos de lipoproteínas de alta densidade, são fatores de risco importantes para a doença cerebrovascular isquêmica, mesmo em sujeitos normocolesterolêmicos e normotrigliceridêmicos. Por fim, o alelo epsilon 4 pode ser um marcador genético predisponente para a doença cerebrovascular isquêmica.
Pedro‐Botet et al. (Sun,) estudaram essa questão.