Key points are not available for this paper at this time.
O termo ‘Paradoxo de Jevons’ ressalta a necessidade de considerar as diferentes escalas hierárquicas nas quais um sistema sob análise muda sua identidade em resposta a uma inovação. Assim, uma análise das implicações do Paradoxo de Jevons deve abandonar o reino do reducionismo e lidar com a complexidade inerente à questão da sustentabilidade: ao estudar a evolução e a mudança real, como podemos definir “o que deve ser sustentado” em um sistema que continuamente se torna outra coisa? Em uma tentativa de abordar esta questão, este artigo apresenta três conceitos teóricos estranhos à análise científica convencional: (i) sistemas adaptativos complexos—para abordar as características peculiares de sistemas de aprendizado e auto-produção; (ii) holons e holarquia—para explicar as implicações da ambiguidade encontrada ao observar a relação entre elementos funcionais e estruturais em diferentes escalas (estado estacionário versus evolução); e (iii) ciclo adaptativo de Holling—para ilustrar a existência de diferentes fases na trajetória evolutiva de um sistema adaptativo complexo interagindo com seu contexto em que restrições externas ou internas podem se tornar limitantes. Esses conceitos são usados para explicar os drivers sistêmicos do Paradoxo de Jevons. Ao olhar para as bases termodinâmicas da sociedade, a sustentabilidade é baseada em um equilíbrio dinâmico de dois princípios contrastantes que regulam a evolução de sistemas adaptativos complexos: a produção mínima de entropia e o fluxo máximo de energia. A coexistência desses dois princípios explica por que, em diferentes situações, a inovação deve desempenhar um papel diferente no ‘desenvolvimento sustentável’ da sociedade: (i) quando a sociedade não está sujeita a restrições biofísicas externas, melhorias na eficiência servem para aumentar o consumo final da sociedade e expandir sua diversidade de funções e estruturas; (ii) quando a expansão da sociedade é limitada por restrições externas, melhorias na eficiência devem ser utilizadas para evitar ao máximo a perda da diversidade existente. Conclui-se que a sustentabilidade não pode ser alcançada apenas por inovações tecnológicas, mas requer um processo contínuo de ajuste institucional e comportamental.
Giampietro et al. (Quarta-feira,) estudaram essa questão.