O tratamento com inibidores do RAS melhora a função atrial esquerda avaliada por imagem de deformação tecidual em pacientes com hipertensão essencial?
O tratamento com inibidores do RAS por 9 meses melhorou significativamente o strain e a strain rate atrial esquerda em pacientes hipertensos, apesar de nenhuma alteração nos parâmetros ecocardiográficos padrão.
JUSTIFICATIVA: Embora os inibidores do sistema renina-angiotensina (RAS) apresentem efeitos benéficos no miocárdio ventricular esquerdo, seu efeito na função atrial esquerda (LA) permanece desconhecido. O objetivo deste estudo foi avaliar o efeito do tratamento com inibidores do RAS na função de LA de pacientes com hipertensão essencial. MÉTODOS: Quarenta pacientes hipertensos (17 homens, média de idade 47.1 +/- 1.5, pressão arterial média 158.3 +/- 1.8/97.1 +/- 0.7 mm Hg) foram estudados utilizando imagem de strain e strain rate (SR) de LA antes e após 9 meses de tratamento com inibidores da enzima conversora de angiotensina (ACE) ou bloqueadores dos receptores de angiotensina II (ARBs). RESULTADOS: Os parâmetros ecocardiográficos padrão da função de LA (volumes de LA, fração de ejeção, fração de esvaziamento ativo e passivo e força de ejeção), bem como os índices diastólicos do ventrículo esquerdo, não se alteraram com o tratamento de bloqueio do RAS. No entanto, o strain sistólico de pico e o SR de LA foram significativamente maiores ao final do estudo em comparação com o basal (77.8 +/- 5.2% vs. 63.3 +/- 4.1%, P < 0.001 e 3.9 +/- 0.2 s(-1) vs. 3.1 +/- 0.2 s(-1), P < 0.0001, respectivamente). Não foi encontrada correlação entre alterações na pressão arterial sistólica ou diastólica e alterações no strain ou na mudança de SR durante o tratamento. CONCLUSÕES: A imagem de strain e SR de LA melhorou após a redução da pressão arterial com inibidores do RAS em pacientes hipertensos, enquanto os parâmetros ecocardiográficos padrão de LA permaneceram inalterados. Os valores de strain/SR de LA podem ter um papel na detecção precoce do acometimento miocárdico subclínico na hipertensão essencial; a associação entre a alteração nesses índices após o tratamento anti-hipertensivo e o desfecho clínico merece avaliação adicional.
Dimitroula et al. (Thu,) estudaram essa questão.