A disfunção microvascular coronária e a inflamação desempenham um papel central na fisiopatologia da síndrome de Takotsubo e podem ser avaliadas usando técnicas avançadas de imagem e hemodinâmicas invasivas.
Revisão
A disfunção microvascular coronária e a inflamação desempenham papéis-chave na fisiopatologia da síndrome de Takotsubo, que pode ser avaliada usando imagens não invasivas avançadas e hemodinâmica invasiva.
A síndrome de Takotsubo (TTS) é um distúrbio agudo caracterizado por disfunção ventricular esquerda transitória com anormalidades típicas de movimento regional da parede, mais comumente o balonamento apical. Ela representa de 1 a 3% de todas as síndromes coronárias agudas suspeitas e até 5 a 6% em mulheres apresentando infarto do miocárdio com elevação do segmento ST que requer angiografia coronária para excluir doença arterial coronária obstrutiva. A fisiopatologia da TTS é complexa e não totalmente elucidada, com a hiperativação simpática desempenhando um papel central por meio da desregulação do cálcio, estresse oxidativo e alterações metabólicas. Dados clínicos e experimentais demonstram a importância da inflamação, com infiltração celular e ativação imune persistente que excede a fase aguda. Evidências crescentes destacam o impacto da disfunção microvascular coronária (CMVD) como um fenômeno secundário, com algumas descobertas que sustentam seu papel como um substrato causativo. Além das condições predisponentes bem conhecidas, como sexo feminino, idade pós-menopáusica e distúrbios neurológicos e psiquiátricos com o gatilho de um evento físico ou psicológico, numerosos relatos de casos associam a síndrome a doenças autoimunes crônicas, mesmo que as evidências experimentais claras permaneçam escassas e mereçam mais estudos. A ecocardiografia e técnicas avançadas de imagem, incluindo ressonância magnética cardíaca e tomografia por emissão de pósitrons, forneceram insights sobre CMVD transitória, edema miocárdico reversível e comprometimento metabólico, fortalecendo nosso conhecimento da síndrome como um processo dinâmico. Também é cada vez mais interessante realizar avaliações hemodinâmicas invasivas para explicar o aumento da resistência microvascular. Esta revisão oferece uma visão abrangente e atualizada dessas técnicas no contexto da TTS. Como clinicamente a TTS pode estar associada a morbidade e mortalidade significativas, com alguns casos inexplicáveis de disfunção miocárdica a longo prazo ou até recidiva, uma compreensão mais profunda da interação entre catecolaminas, inflamação, substrato imune e CMVD pode melhorar a estratificação de risco e levar ao desenvolvimento de estratégias terapêuticas direcionadas.
Piccolboni et al. (2026) realizaram uma revisão sobre a síndrome de Takotsubo (TTS). A disfunção microvascular coronária e a inflamação desempenham um papel central na fisiopatologia da síndrome de Takotsubo e podem ser avaliadas usando técnicas avançadas de imagem e hemodinâmicas invasivas.
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