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Este estudo exploratório transversal envolveu trabalhadores de saúde de vários tipos e níveis de habilidade. Testamos a hipótese de que a prevalência de doenças, queixas de sono e tempo insuficiente para atividades não profissionais (família, lazer e descanso) é maior entre trabalhadores noturnos do que diurnos. A coleta de dados foi realizada em dois hospitais públicos utilizando questionários e outras formas. O trabalho à noite foi explorado como um fator de risco, considerando um trabalhador noturno como aquele que tinha pelo menos um trabalho noturno na ocasião da pesquisa. Os dados foram avaliados por meio de uma análise univariada. A associação entre cronograma de trabalho e as variáveis dependentes—condições de saúde, queixas de sono e tempo insuficiente para atividades não profissionais—foi avaliada por meio da estimativa da razão de prevalência, com um intervalo de confiança de 95%. Duzentas e cinquenta e oito profissionais de enfermagem do sexo feminino participaram; 41,5% eram trabalhadores adicionais, e apenas 20 trabalharam um turno de menos de 12h de duração. Relatos de enxaqueca e necessidade de atendimento médico nas 2 semanas anteriores à pesquisa foram mais prevalentes entre trabalhadores diurnos do que noturnos (PR=0.71; CI=0.55-0.92 e PR=0.71; CI=0.52-0.95, respectivamente). As dores de cabeça por enxaqueca ocorreram com menos frequência entre trabalhadores noturnos do que diurnos, como confirmado pela comparação dos relatos dos trabalhadores noturnos e diurnos cuja história de trabalho sempre foi em turnos diurnos (PR = 0.74; CI = 0.57-0.96). Relatos de transtornos emocionais leves (depressão leve, tensão, ansiedade ou insônia) foram menos frequentes entre trabalhadores noturnos (PR=0.76; CI=0.59-0.98) e ex-trabalhadores noturnos (PR=0.68; CI=0.50-0.91) do que entre trabalhadores diurnos que nunca tinham trabalhado em um turno noturno. O efeito do trabalhador saudável não parece explicar os resultados das comparações entre trabalhadores diurnos e noturnos. O possível papel da exposição dos trabalhadores diurnos a alguns fatores de risco, como o estresse, foi sugerido como uma explicação para esses resultados. Nenhuma diferença significativa foi observada entre trabalhadores noturnos e diurnos quanto às queixas de sono, um resultado que pode ter sido influenciado pela natureza do cronograma de trabalho em turnos (sem turnos noturnos sucessivos) e possivelmente pela realização de cochilos durante o turno noturno. Além disso, as longas horas de trabalho e o trabalho adicional dos trabalhadores de saúde, que é comum no Brasil, podem ter mascarado outras possíveis diferenças entre os trabalhadores diurnos e noturnos. Entre os trabalhadores noturnos, uma relação significativa foi encontrada entre anos trabalhando à noite (mais de 10 anos) e valores altos de colesterol (PR = 2.58; CI = 1.07-6.27), um resultado que merece estudo adicional. Trabalhar à noite mais de quatro vezes em um intervalo de 2 semanas foi relacionado a queixas sobre tempo insuficiente para filhos (PR= 1.96; CI = 1.38-2.78) e descanso/lazer (PR= 1.54; CI = 1.20-1.99). Esses resultados podem estar relacionados ao "valor social do tempo", já que as noites e os fins de semana são momentos em que as famílias costumam passar tempo juntas. A complexidade da vida profissional e a consequente heterogeneidade do grupo de trabalhadores sob esquemas de trabalho em turnos confundem os resultados. Um estudo mais aprofundado das questões levantadas aqui demanda um tratamento epidemiológico mais sofisticado e um tamanho de amostra maior.
Portela et al. (Thu,) estudaram essa questão.
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