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A doxorrubicina (adriamicina) é uma droga quimioterápica anticâncer altamente eficaz, mas sua utilidade clínica é limitada por sua cardiotoxicidade. O doxorrubicinol, o principal metabolito da doxorrubicina, é até 10 vezes mais potente do que a doxorrubicina em inibir a contração isométrica do músculo papilar isolado do ventrículo direito do coração de coelho. O doxorrubicinol também aumenta a tensão de repouso do músculo cardíaco isolado, indicativa de relaxamento incompleto entre contrações, uma característica do doxorrubicinol, mas não da doxorrubicina. Este estudo avalia o(s) efeito(s) do doxorrubicinol sobre uma variedade de bombas iônicas que podem explicar, em parte, a ação do metabolito no músculo intacto. Nós descobrimos que o doxorrubicinol é um potente inibidor (IC50 menor que 5 microgramas/ml) da atividade da ATPase estimulada por cálcio do retículo sarcoplasmático de coração canino e músculo esquelético de coelho. Em níveis comparáveis, o doxorrubicinol também é um potente inibidor da (Na + K)-ATPase do sarcolema cardíaco e da atividade da ATPase dependente de Mg referível à bomba de prótons F0F1 das mitocôndrias. Para cada uma dessas bombas iônicas, o doxorrubicinol é pelo menos 80 vezes mais potente como inibidor do que a doxorrubicina. O doxorrubicinol, entre 10 e 50 microgramas/ml, aumenta a tensão de repouso em até 4 vezes em músculos papilares isolados contraindo-se ciclicamente a 30 vezes/min. O estresse de repouso é relativamente insensível à doxorrubicina. Assim, o doxorrubicinol é um potente inibidor de várias bombas catiônicas chave que regulam direta ou indiretamente o cálcio celular e inibe o relaxamento na preparação de fibra isolada. Essas observações adicionam uma nova dimensão à compreensão da cardiotoxicidade da doxorrubicina.
Boucek et al. (1987) estudaram essa questão.
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