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O adenocarcinoma do intestino delgado (AID) representa menos de 5% de todos os cânceres gastrointestinais. Geralmente está ligado a desordens genéticas e condições inflamatórias mediadas pelo sistema imunológico, como a doença de Crohn (DC). Apesar dos avanços em oncologia, o AID tem um prognóstico ruim e um alto risco relativo nesse subgrupo de pacientes. Fatores de risco para o desenvolvimento de AID em pacientes com DC incluem um fenótipo de estenose e uma doença de longa duração. Este artigo tem como objetivo expor um caso de associação entre DC e AID e seu manejo. Uma mulher de 66 anos com DC afetando o íleo terminal há muito tempo, com múltiplas internações devido a episódios suboclusivos e perda de peso. A tomografia computadorizada (TC) e a ressonância magnética (RM) revelaram espessamento intestinal no intestino delgado, sugerindo uma estenose inflamatória e trajetórias fistulosas entero-entericas. Foi realizada uma ileocolectomia, e a avaliação histopatológica da paciente revelou um adenocarcinoma mucinoso invasivo do íleo terminal. A paciente foi tratada com quimioterapia adjuvante e está sob vigilância há dois anos, sem recidiva maligna. Embora seja uma neoplasia relativamente rara, pacientes com DC apresentam um risco significativo de desenvolver AID, quando comparados à população geral. O diagnóstico é desafiador devido à natureza oculta do AID associado à DC, e a imaginação e a endoscopia sozinhas tornam difícil detectar a patologia. O tratamento envolve um alto índice de suspeição para o diagnóstico e um equilíbrio entre ressecção mesentérica extensa e a ideia principal da cirurgia da DC de preservação do comprimento intestinal. Apesar dos avanços recentes em oncologia, a taxa de sobrevivência em pacientes com DC-AID continua baixa. Pacientes com DC de longa data devem ter o íleo terminal monitorado regularmente, e os cirurgiões devem estar atentos ao AID oculto. A vigilância pós-ressecção de pacientes envolve exames abdominais regulares, vigilância seriada, imagem em cortes transversais e monitoramento da recorrência de sintomas obstrutivos. Há uma falta de diretrizes claras para a prevenção primária e vigilância do AID, com foco na gestão da inflamação. As técnicas de diagnóstico pré-operatório são escassas, e os pacientes correm o risco de tratamento subótimo se um câncer incidental for encontrado. Estratégias incluem técnicas cirúrgicas baseadas no mesentério direito e/ou exame de seção congelada, sempre equilibrando o tratamento do câncer e a preservação do intestino, o que é de alta relevância neste subgrupo de pacientes.
Marques et al. (qui,) estudaram essa questão.