Resumo Contexto Pacientes com doença valvular cardíaca apresentam alto risco de complicações pulmonares pós-operatórias (CPPs), que contribuem para morbidade e mortalidade após a cirurgia. Contudo, poucos estudos focaram especificamente na reabilitação perioperatória nesta população. Métodos Este ensaio clínico randomizado unicêntrico avaliou um protocolo de reabilitação perioperatória (PORT) composto por quatro componentes: educação, treinamento dos músculos inspiratórios (IMT), técnicas ativas de ciclo respiratório (ACBT) e mobilização precoce (EM). O desfecho primário foi uma medida composta incluindo a ocorrência de CPPs nos primeiros 7 dias, hospitalização pós-operatória superior a 7 dias e mortalidade intra-hospitalar por todas as causas, considerando também cada componente individualmente. Desfechos secundários incluíram duração da permanência na unidade de terapia intensiva cirúrgica, hospitalização pós-operatória total, mortalidade por todas as causas em 3 meses e custos não cirúrgicos. Resultados Ambos os grupos eram comparáveis na linha de base. Após a cirurgia, o desfecho composto foi observado em 206 (51,6%) de 399 pacientes no grupo PORT e em 224 (53,5%) de 419 pacientes no grupo de cuidado habitual (razão de chances OR, 0,881; intervalo de confiança 95% CI, 0,663 a 1,167, p = 0,376). CPPs estiveram presentes em 161 (40,4%) pacientes no grupo PORT e 197 (47,1%) no grupo de cuidado habitual (OR, 0,720; IC 95%, 0,541 a 0,956, p = 0,023). Permanência hospitalar pós-operatória prolongada acima de 7 dias ocorreu em 241 (29,5%) de 818 pacientes, sem diferença significativa entre os grupos. Ocorreram 3 (0,8%) mortes em pacientes com reabilitação perioperatória e 4 (1%) no grupo de cuidado habitual (hazard ratio HR 0,648; IC 95%, 0,140 a 2,993, p = 0,578). Não foram encontradas diferenças significativas entre os grupos para os desfechos secundários. Conclusões Os resultados indicam que a reabilitação perioperatória reduz significativamente a incidência de CPPs em pacientes com doença valvular cardíaca. Recomenda-se, portanto, a incorporação da reabilitação perioperatória abrangente no manejo clínico de pacientes submetidos à cirurgia de valve cardíaca.
Ma et al. (sáb,) estudaram esta questão.
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