A análise memética da linguagem legal estabeleceu que máximas latinas sobrevivem ao longo dos séculos através de vantagens evolutivas específicas: imutabilidade linguística, compressão cognitiva e sinalização custosa. Este artigo argumenta que essa explicação, embora precisa, é incompleta. Ele identifica uma camada mais profunda da genealogia jurídica que a análise memética não pode alcançar por si só: o nível das metáforas absolutas no sentido proposto por Hans Blumenberg, ou seja, imagens pré-conceituais que resistem à redução terminológica e orientam o pensamento jurídico antes de qualquer argumento começar. Proponho que as máximas latinas não são apenas memes perfeitos. Elas são metáforas absolutas que se cristalizaram antes que a terminologização pudesse se completar, e sua irreduzibilidade deriva dessa paralisação, não do conservadorismo ou do ritual profissional. Este quadro é desenvolvido em explícita oposição a leituras estruturalistas: as metáforas absolutas definem quais conceitos jurídicos são possíveis em um dado ambiente, e não qual conceito vence. O mecanismo de seleção permanece darwiniano. O segundo caso empírico desenvolvido aqui é o construto LLMorfismo proposto por Capraro (2025): a tendência de reinterpretar a cognição humana por meio de categorias derivadas de grandes modelos de linguagem. Argumento que o LLMorfismo é uma metáfora absoluta candidata atualmente passando por fixação memética, com vantagens de aptidão mensuráveis em ambientes institucionais contemporâneos. A convergência de ambos os casos sugere que a produção de metáforas absolutas não é uma curiosidade histórica, mas uma propriedade estrutural da linguagem jurídica em condições de transmissão de alta fidelidade e baixa variação. O artigo conclui com implicações para a metodologia da Rede de Análise de Empréstimo Ancestral (ABAN) e o Índice de Trancamento Constitucional (CLI): nós terminais em árvores genealógicas não são lacunas de dados, mas indicadores positivos de metáforas absolutas com alta inércia institucional.
Ignacio Adrián LERER (Sex,) estudou esta questão.