O rim em ferradura (RF) representa a anomalia congênita mais comum do trato urinário, ocorrendo em aproximadamente 1 em 400-600 indivíduos, com predominância masculina. Geralmente resulta da fusão dos polos inferiores dos rins por um istmo fibroso ou parenquimal e está frequentemente associado a ectopia, malrotação e anomalias vasculares. Embora geralmente assintomático e frequentemente descoberto incidentalmente durante exames de imagem para condições não relacionadas, o RF pode predispor indivíduos a complicações como hidronefrose, nefrolitíase, infecção e obstrução da junção ureteropélvica (JUP). Relatamos o caso de uma mulher de 37 anos que apresentou dois meses de amenorreia e dor abdominal severa. Com um diagnóstico provisório de gravidez ectópica, foi realizada uma ultrassonografia, mas esta se mostrou inconclusiva. A ressonância magnética (RM) subsequente revelou uma gravidez ectópica junto com a descoberta incidental de um RF. Os rins estavam normalmente posicionados, fundidos em seus polos inferiores por uma faixa parenquimal e não mostraram anomalias ureterais associadas. Morfologicamente, a anomalia correspondia ao tipo em U descrito na literatura. Este caso destaca a importância de considerar anomalias de fusão renal em avaliações radiológicas realizadas para indicações não relacionadas. O reconhecimento do RF é clinicamente significativo não apenas para o diagnóstico de condições associadas, mas também para o planejamento de procedimentos cirúrgicos ou intervencionais devido à anatomia e aos padrões vasculares alterados.
Begum et al. (Ter,) estudaram esta questão.