Este artigo faz uma revisão crítica da comunicação participativa na tradição de comunicação para mudança social (CFSC) no Sul Global, seguindo seu desenvolvimento a partir de origens radicais—fundamentadas na pedagogia freireana e na ação da base—até sua cooptiação dentro de estruturas de desenvolvimento neoliberal. Através de uma análise comparativa da América Latina, África e Ásia, o artigo questiona a persistente lacuna entre retórica e prática, observando como a ação participativa costuma estar presa entre agendas de doadores, regulação estatal e hierarquias sociais estruturais. Conceitualmente, o artigo tematiza tensões em torno de poder, voz e justiça epistêmica, defendendo que a participação real requer mais do que uma participação técnica; ela precisa da redistribuição da agência comunicativa e de uma atenção crítica às políticas de voz, escuta e representação. Em conclusão, o artigo pede uma reavaliação da comunicação participativa como uma prática específica do local, contestada, fundamentada em epistemologias locais e lutas coletivas que podem promover transformação social diante de desigualdades estruturais persistentes. O artigo também contribui para os esforços em andamento para repensar a teoria da comunicação a partir das perspectivas do Sul Global dentro da bolsa contemporânea de mídia e comunicação.
Vinod Pavarala (Ter,) estudou essa questão.