Neve marinha é tipicamente entendida como um fenômeno biológico nos oceanos modernos, consistindo em agregados de matéria orgânica e microrganismos. No entanto, os processos físico-químicos fundamentais que sustentam a agregação de partículas, adsorção e transporte não são inerentemente biológicos. Aqui, propomos que agregados semelhantes à neve marinha, formados por coloides minerais e compostos orgânicos prebióticos, podem ter atuado como veículos interfaciais móveis em ambientes da Terra primitiva. Esses agregados poderiam concentrar, transportar e redistribuir moléculas prebióticas em nichos espacialmente distintos, ligando locais de acumulação molecular — como interfaces gelo-água — a locais de transformação e disponibilidade de energia, incluindo sistemas hidrotermais. Ao fornecer interfaces dinâmicas que passam por agregação e dispersão repetidas, essas estruturas podem ter facilitado processos de troca e recombinação molecular que, de outra forma, são improváveis em ambientes aquosos diluídos. Esta hipótese reformula a neve marinha como um mecanismo físico-químico para a integração espacial na química prebiótica e sugere implicações testáveis para o papel do transporte coloidal na origem da vida.
S. Kato (qua,) estudou essa questão.
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