Textual analysis uncovers concurrent Baroque rhetoric and neoclassical demands in Francisco de Pina e Melo's writings, highlighting complex literary transitions in eighteenth-century Portugal.
RESUMOEste artigo analisa a posição literária de Francisco de Pina e Melo (1695–1773) no campo cultural português de meados de Setecentos, sem o reduzir a uma figura de simples transição. Partindo da Arte Poética, mas também da Balança Intelectual, das Rimas, da correspondência e de outros manuscritos hoje acessíveis, discute o modo como o escritor negoceia regras, engenho, tradição e reforma literária. O estudo concentra-se em quatro núcleos: a construção autoral do «Corvo» e do «pato do Mondego»; a polémica com Verney; a reformulação do heroísmo e do maravilhoso na reflexão épica, em diálogo com Tasso e Camões; e a defesa do estilo rústico na bucólica. Argumenta-se que as tensões entre retórica de feição tardobarroca, exigências neoclássicas e instituições literárias não representam simples estádios sucessivos, mas práticas concomitantes e conflitivas. Pina e Melo surge, assim, como agente de uma cultura literária em transformação, cuja obra permite reconsiderar os modos de relação entre poéticas, polémica e autoridade no século XVIII português.
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Carlos Nogueira (2026) studied this question.
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