RESUMO Este artigo explora por que um grupo de potências intermediárias do Sul Global adotou posturas sobre a guerra da Ucrânia que divergem das posições dos Estados Unidos sob o presidente Joe Biden, da União Europeia e da ampla aliança OTAN/Oeste. Afirmo que essas disparidades são parcialmente explicadas pela afiliação desses estados à noção de não-alinhamento que foi resignificada no contexto do conflito na Ucrânia. Argumento que o ‘não-alinhamento’ tem, ao longo dos anos, proporcionado aos estados pós-coloniais um senso de propósito comum e segurança ontológica. Isso foi realizado por meio de um conjunto de práticas e narrativas institucionalizadas ancoradas em princípios como autonomia, anti-colonialismo ocidental e igualdade, que lhes conferiam um senso de identidade no contexto instável do conflito da Guerra Fria e além. Portanto, a alegação é que as posições desses estados não estão necessariamente relacionadas a desenvolvimentos na própria guerra, e ao inegável fato da agressão da Rússia. Em vez disso, estão enraizadas em um senso de (in)segurança ontológica e ressentimento histórico em relação às exclusões e hierarquias da ordem internacional liderada pelo Ocidente. Engajo-me com os casos da Índia, Brasil e África do Sul como potências intermediárias democráticas representativas e líderes do Sul Global.
Marco Antonio Vieira (Qui,) estudou essa questão.