O artigo examina acervos (meta/epi)linguísticos no cenário brasileiro contemporâneo, compreendendo-os sob o conceito ampliado de arquivo e discutindo suas implicações para a Historiografia Linguística (HL). Partindo das revisões epistemológicas que redefiniram o estatuto dos arquivos nas ciências humanas, sustenta-se que tais acervos não constituem repositórios passivos de fontes, mas construtos dinâmicos do conhecimento, vinculados a contextos históricos, institucionais e socioculturais específicos. Nesse quadro, analisam-se seis iniciativas: o Centro de Documentação em Historiografia Linguística, da Universidade de São Paulo; o Catálogo de Gramáticas da Língua Portuguesa, desenvolvido pelo grupo de pesquisa Historiografia, Gramática e Ensino de Línguas, da Universidade Federal da Paraíba; o Dossiê de Gramáticas e Dicionários do Português, da Fundação Biblioteca Nacional e da Fundação Casa de Rui Barbosa; o Web-Museu da Gramática, da Universidade Federal de Uberlândia; o Museu da Língua Portuguesa; e o Museu de Itinerários Linguísticos do Instituto Serendipe. Para cada caso, apresentam-se o histórico de constituição, os objetivos, os critérios de curadoria e catalogação, as formas de organização e os modos de acesso. A análise mobiliza instrumental metodológico da HL e da museologia contemporânea, com atenção às concepções de língua e aos modos de organização do saber metalinguístico. Argumenta-se que a relação entre arquivos e HL envolve uma tensão constitutiva entre retrospectiva historiográfica e projeção memorial, exigindo metaconsciência quanto aos processos de seleção, canonização e exclusão. Destaca-se, por fim, que a produção, manutenção e disponibilização desses acervos configuram não apenas práticas documentais, mas intervenções epistemológicas que impactam as condições heurísticas da pesquisa, a formação de pesquisadores e a circulação social do conhecimento linguístico, reafirmando o papel dos acervos como objetos historiográficos e como infraestruturas críticas para o desenvolvimento da área.
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