INTRODUÇÃO: A titulação do aparelho intraoral de avanço mandibular (AIOm) é habitualmente conduzida com base na melhora de sinais e sintomas clínicos. Entretanto, a resposta subjetiva pode não refletir integralmente o controle fisiológico da apneia obstrutiva do sono (AOS). A monitorização tipo IV por oximetria noturna permite avaliar de forma objetiva e seriada a oxigenação durante o avanço mandibular, podendo fornecer informações adicionais durante a titulação. OBJETIVO: Comparar a titulação do AIOm baseada em sinais e sintomas clínicos com aquela acompanhada por monitorização tipo IV em pacientes com AOS moderada a grave e dessaturação da oxihemoglobina, avaliando a resposta clínica, os parâmetros polissonográficos e oximétricos e o grau de avanço mandibular. MÉTODOS: Ensaio clínico randomizado de grupos paralelos. Cinquenta e seis pacientes foram randomizados e 40 completaram o protocolo, sendo 20 em cada grupo. No grupo de titulação clínica (G1), os avanços mandibulares foram conduzidos de acordo com a melhora dos sinais e sintomas, avaliados pela Escala de Sonolência de Epworth, Functional Outcomes of Sleep Questionnaire (FOSQ) e escala visual analógica de ronco, até a indicação da polissonografia final. No grupo acompanhado por oximetria (G2), os avanços foram avaliados por monitorizações tipo IV seriadas, e a progressão da titulação foi orientada pela evolução do índice de dessaturação da oxihemoglobina (IDO), respeitando-se a tolerabilidade ao avanço mandibular. Ao final, foram avaliados os desfechos clínicos, polissonográficos, oximétricos e o grau de avanço mandibular. RESULTADOS: Ambos os grupos apresentaram melhora clínica e polissonográfica após o tratamento com AIOm. No G1, a mediana do índice de apneia-hipopneia (IAH) reduziu de 24,05 para 11,40 eventos/h (p<0,001), enquanto no G2 reduziu de 23,40 para 6,95 eventos/h (p=0,009). Na comparação entre os grupos, não foram observadas diferenças significativas na evolução do IAH (p=0,882), da Escala de Epworth (p=0,485), do IDO (p=0,316) ou da SpO₂ mínima (p=0,933). A melhora do FOSQ (interação grupo × tempo, p=0,040) e do ronco (p=0,045) foi mais expressiva no G1. Durante a titulação seriada do G2, o IDO reduziu de 8,86±6,05 para 4,56±2,67 eventos/h de registro (p=0,002), a SpO₂ mínima aumentou de 84,26±4,57% para 87,00±2,87% (p=0,026) e a carga hipóxica reduziu de 44,05±22,03 para 24,39±13,62 (p<0,001). O avanço mandibular final apresentou mediana de 80% da protrusão máxima confortável em ambos os grupos, sem diferença significativa entre eles (p=0,565). A monitorização tipo IV apresentou valores de IDO inferiores aos obtidos pela polissonografia no pré e no pós-tratamento. CONCLUSÃO: A titulação acompanhada por monitorização tipo IV não demonstrou superioridade em relação à titulação baseada em sinais e sintomas clínicos quanto aos principais desfechos polissonográficos finais ou ao grau de avanço mandibular. A monitorização tipo IV permitiu documentar de forma objetiva e seriada a melhora da resposta hipóxica durante a titulação; entretanto, a evolução dos parâmetros oximétricos não apresentou correspondência completa com a resposta clínica nem com o controle polissonográfico final. Em pacientes com AOS moderada a grave e dessaturação da oxihemoglobina documentada, a monitorização tipo IV pode ser utilizada como ferramenta complementar durante a titulação do AIOm, mas seus resultados devem ser interpretados em conjunto com os achados clínicos, especialmente porque eventos respiratórios associados predominantemente a despertares podem ocorrer sem dessaturação significativa. Assim, a monitorização tipo IV não deve ser utilizada isoladamente para o diagnóstico ou para inferir o controle completo da AOS, sendo necessária a confirmação objetiva da eficácia terapêutica por exame do sono apropriado ao final do tratamento. Mostrar mais
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Diaz et al. (1999) studied this question.
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