Contexto e objetivos: A polineuropatia periférica diabética dolorosa é uma complicação frequente da diabetes mellitus associada a dor neuropática persistente e a diminuição da qualidade de vida.As terapêuticas sistémicas recomendadas apresentam eficácia variável e podem ser limitadas por efeitos adversos, interações medicamentosas e baixa tolerabilidade, sobretudo em doentes idosos ou polimedicados.Esta revisão tem como objetivo analisar a abordagem terapêutica desta entidade com particular enfoque na eficácia, segurança e tolerabilidade da capsaicina tópica de alta concentração.Conteúdos: Foi realizada uma revisão bibliográfica nas bases de dados PubMed, Scopus e Web of Science, incluindo artigos em português ou inglês, publicados na última década.Após aplicação dos critérios de elegibilidade, foram selecionados 33 artigos.A evidência analisada demonstra que o adesivo cutâneo de capsaicina a 8% reduziu a dor média diária face ao placebo entre as semanas 2 e 8: 27,4 vs. 20,9%, e entre as semanas 2 e 12: 28,0 vs. 21,0%, com maior percentagem de doentes a atingir redução da dor ≥ 30%, 40,9 vs. 31,7%.As reações adversas foram sobretudo locais, transitórias e ligeiras a moderadas, sem agravamento neurológico funcional nem repercussão sistémica clinicamente significativa.Conclusões: A evidência apoia a capsaicina tópica a 8% como estratégia terapêutica eficaz no alívio da dor neuropática diabética.Embora não constitua uma solução universal, o seu perfil clínico sustenta a integração racional na abordagem terapêutica da polineuropatia periférica diabética dolorosa, permanecendo necessária investigação futura que clarifique o seu posicionamento no algoritmo terapêutico.
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Mora et al. (2026) studied this question.
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