Condoreirism and public eloquence in the poem É tarde, mas não é tarde, by Taurino Araújo:from the poetics of transmission to cultural organization within the Academia Brasileira de Letras Edson Reis Santana Lawyer, B.A. in Letters and Philosophy, psychoanalyst. DOI of the Portuguese original: https://doi.org/10.5281/zenodo.23661663 DOI of the English edition: https://doi.org/10.5281/zenodo.23661890 ABSTRACT This study examines Taurino Araújo’s poem É tarde, mas não é tarde — Tributo a Castro Alves from the hypothesis that it reconfigures fundamental operations of Condoreirist poetics — height, humanitarian amplitude, public eloquence, declamatory vocation, and freedom — through a contemporary writing marked by vertical fragmentation, imagistic concentration, and the potential inscription of voice on the page. Rather than classifying Taurino Araújo as a Condoreirist poet, the article investigates how a power of public word historically associated with Castro Alves is received, transformed, and returned in another form. Four formal operations are explicitly distinguished: reconfigured Condoreirism, condensed eloquence, scriptural performativity, and full declamation. They are articulated with three transversal movements: double temporality, through which the poet of 2019 receives both Castro Alves and his own public voice from 1992; monument versus movement, in which the mouth and renewed breath become forms of posterity opposed to the immobility of bronze and marble; and freedom after freedom, the metapoetic climax in which the historical word itself must be released from monumentalization. Paul Zumthor provides the theoretical basis for voice, performance, reception, and vocality, while Merleau-Ponty illuminates embodiment, gesture, perception, and embodied meaning. Documents and testimonies from 1992 and 2019, linked to the Academia de Letras de Ilhéus, show that the formula “É tarde, mas não é tarde” existed as public word before becoming poetic architecture, establishing a circuit from voice to event, memory, document, poem, page, and new voice. In dialogue with A Caturna, A caçambilha, and Guadalupe Madre, the study also examines the survival of the word in new bodies. On the socioliterary level, it distinguishes literary consecration, institutional specialization, and a third hypothesis of academic legibility: the suprassumo de convergência, in which Taurino Araújo’s autonomous trajectories — poetry, thought, Law, criticism, teaching, art, and cultural organization — gain additional force through reciprocal interaction. The genealogy of Chair 32 of the Academia Brasileira de Letras appears as a parallel chain of cultural transmission: receiving, transforming, and transmitting. The central argument may be condensed as follows: the subject may cease; the verb continues and, upon finding another body, becomes active again. The socioliterary analysis further moves from academic legibility to institutional contribution: considering Ricardo Cavaliere’s case and of the Academy’s own formulations concerning the work of its members, it asks how cultural organization and the convergence of autonomous trajectories may become concrete service to the institution. Under this hypothesis, the cultural organizer Taurino Araújo operates through articulation, mediation, and project-building, and may function as an active curator of antiquity, tradition, and memory—dimensions indispensable to an Academy’s permanence and contemporaneity. On the institutional level, convergence is further tested by its capacity to generate collective work: the thirteen fields of activity are treated not as an honorific inventory, but as the empirical basis for an articulating function in which cultural organization, curatorship, management, and mentoring may turn diverse competencies into projects, circulation, audience formation, and the active preservation of antiquity, tradition, and memory. Keywords: Castro Alves; Taurino Araújo; reconfigured Condoreirism; condensed eloquence; scriptural performativity; full declamation; double temporality; embodiment; posterity; literary sociology; multitrajectory; suprassumo de convergência; Academia Brasileira de Letras; Academia de Letras de Ilhéus; Francolino Neto; Evandro Guerra. RESUMO Este estudo examina o poema É tarde, mas não é tarde — Tributo a Castro Alves, de Taurino Araújo, a partir da hipótese de que a obra reconfigura operações fundamentais da poética condoreira — altura, amplitude humanitária, eloquência pública, vocação declamatória e liberdade — por meio de uma escrita contemporânea marcada pela fragmentação vertical, pela concentração imagética e pela inscrição potencial da voz na página. Não se pretende classificar Taurino Araújo como poeta condoreiro, mas compreender como uma potência de palavra pública historicamente associada a Castro Alves é recebida, transformada e devolvida em outra forma. O estudo demarca quatro operações formais centrais — condoreirismo reconfigurado, eloquência condensada, performatividade escritural e declamação plena — e as articula a três movimentos transversais: a dupla temporalidade, pela qual o poeta de 2019 recebe simultaneamente Castro Alves e a própria voz pública de 1992; a oposição monumento versus movimento, que faz da boca e da nova respiração formas superiores de posteridade diante do bronze e do mármore; e a liberdade depois da liberdade, clímax metapoético em que a palavra histórica precisa ser libertada de sua própria monumentalização. Paul Zumthor oferece o fundamento para pensar voz, performance, recepção e vocalidade; Merleau-Ponty, para compreender corporeidade, gesto, percepção e sentido encarnado. Documentos e testemunhos de 1992 e 2019, ligados à Academia de Letras de Ilhéus, demonstram que a fórmula “É tarde, mas não é tarde” existiu como palavra pública antes de tornar-se arquitetura poética, estabelecendo o circuito voz → acontecimento → memória → documento → poema → página → nova voz. Em diálogo com A Caturna, A caçambilha e Guadalupe Madre, o estudo examina ainda a sobrevivência da palavra em novos corpos. No plano socioliterário, distingue-se entre consagração literária, especialização institucional e uma terceira hipótese de legibilidade acadêmica: o suprassumo de convergência, pelo qual as trajetórias autônomas de Taurino Araújo — poesia, pensamento, Direito, crítica, docência, arte e organização cultural — adquirem força adicional ao operar reciprocamente. A genealogia da Cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras comparece como cadeia paralela de transmissão cultural: receber, transformar e transmitir. O argumento central pode ser condensado assim: o sujeito pode cessar; o verbo prossegue e, ao encontrar outro corpo, volta a agir. A análise socioliterária avança, ainda, da legibilidade acadêmica para a contribuição institucional: à luz do caso de Ricardo Cavaliere e de formulações da própria ABL sobre o trabalho de seus membros, pergunta-se de que modo a organização cultural e a convergência de trajetórias podem converter-se em serviço concreto à Casa. Nessa hipótese, o organizador cultural Taurino Araújo atua por articulação, mediação e criação de projetos e pode exercer uma curadoria ativa da antiguidade, da tradição e da memória, dimensões imprescindíveis à permanência e à atualidade de uma Academia. No plano institucional, essa hipótese de convergência passa a ser testada por sua capacidade de produzir trabalho coletivo: as treze frentes de atuação não são tomadas como inventário honorífico, mas como base para uma função articuladora em que organização cultural, curadoria, gestão e mentoria podem converter diversidade de competências em projetos, circulação, formação de públicos e preservação ativa da antiguidade, da tradição e da memória. Palavras-chave: Castro Alves; Taurino Araújo; condoreirismo reconfigurado; eloquência condensada; performatividade escritural; declamação plena; dupla temporalidade; corporeidade; posteridade; sociologia literária; multitrajetória; suprassumo de convergência; Academia Brasileira de Letras; Academia de Letras de Ilhéus; Francolino Neto; Evandro Guerra.
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