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A urbanização contemporânea tem intensificado pressões socioecológicas em regiões semiáridas, revelando contradições entre modelos urbanos dominantes e as dinâmicas ambientais desses territórios. No Semiárido brasileiro, a escassez hídrica costuma ser interpretada como consequência direta de limitações climáticas, o que frequentemente obscurece os processos políticos, institucionais e territoriais que condicionam a distribuição da água nas cidades. O problema central deste estudo consistiu em compreender de que maneira o modelo de urbanização dominante contribui para a produção socioespacial da escassez e quais alternativas conceituais podem orientar formas mais sustentáveis de organização urbana. O objetivo foi analisar criticamente evidências teóricas e empíricas que conectam urbanização, governança hídrica e desigualdades socioecológicas, examinando o potencial do paradigma do Bem-Viver como referência para reorganização territorial em contextos semiáridos. Metodologicamente, realizou-se uma revisão integrativa da literatura, conduzida entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026, com busca sistemática em bases de dados científicas internacionais e nacionais, seguida de triagem, aplicação de critérios de elegibilidade e análise interpretativa do corpus selecionado. Os resultados indicam que a escassez hídrica urbana emerge de arranjos institucionais, padrões de infraestrutura e processos de periferização que distribuem desigualmente os recursos ambientais e as condições ecológicas da vida urbana. Evidenciou-se também que modelos urbanísticos transplantados de outros contextos ambientais tendem a ampliar vulnerabilidades climáticas e desigualdades territoriais. Conclui-se que enfrentar tais desafios requer reorientar o planejamento urbano a partir de princípios de justiça socioecológica, valorização dos ecossistemas locais e integração entre infraestrutura ambiental, gestão da água e conhecimento territorial.
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Ramos et al. (2026) studied this question.
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