Why the study?
National studies describing how anticoagulation choice, maintenance, and switching decisions are made in real-world clinical practice for venous thromboembolism are scarce.
Observational (n=429)
No
In a Brazilian public hospital VTE cohort, 71.0% of anticoagulated patients used DOACs and 40.3% required therapy switching—most commonly from VKA to rivaroxaban due to INR instability, and from DOAC to VKA due to antiphospholipid syndrome.
Introdução O tromboembolismo venoso (TEV) é uma importante causa de morbimortalidade e o uso de anticoagulantes constitui a principal estratégia para reduzir sua recorrência. Entretanto, a escolha, manutenção e eventual substituição da terapia exigem reavaliações frequentes, pois dependem de fatores clínicos, laboratoriais e socioeconômicos individuais. Apesar das recomendações atuais, há escassez de estudos nacionais descrevendo como essas decisões são tomadas na prática clínica. Objetivos Analisar o perfil da anticoagulação e descrever os principais motivos para a troca de anticoagulantes em pacientes com TEV acompanhados em um ambulatório de anticoagulação. Material e métodos Estudo retrospectivo, descritivo, realizado por meio da análise de prontuários físicos e eletrônicos de pacientes de um ambulatório de anticoagulação de um hospital público, no período de janeiro a junho de 2026. Foram incluídos pacientes adultos (≥18 anos), de ambos os sexos, com diagnóstico confirmado de TEV por métodos objetivos e atendidos entre 2003 e 2026. As informações coletadas incluíram as características dos eventos tromboembólicos, fatores de risco para TEV, anticoagulantes utilizados, indicação e duração da anticoagulação, bem como as substituições terapêuticas. Resultados Foram incluídos 429 pacientes. Destes, 225 (52,5%) apresentavam indicação para anticoagulação por tempo indeterminado, enquanto 204 (47,6%) por tempo determinado. No momento da avaliação, 248 (57,8%) pacientes permaneciam em uso de anticoagulação, dos quais a maioria (n = 156; 62,9%), com rivaroxabana, seguida por antagonistas da vitamina K (AVK) (n = 69; 27,8%), apixabana (n = 15; 6,05%), dabigatrana (n = 4; 1,6%) e enoxaparina (n = 4; 1,6%). Entre esses 248 pacientes, 100 (40,3%) realizaram pelo menos uma substituição do anticoagulante durante o seguimento, sendo que a transição mais frequente ocorreu de AVK para rivaroxabana (n = 59; 59,0%). Os principais motivos documentados para essa mudança foram instabilidade do RNI (Razão Normalizada Internacional) (n = 12; 20,3%), má adesão ao tratamento (n = 6; 10,2%), falha terapêutica durante o uso de AVK (n = 2; 3,4%) e sangramento em vigência de AVK (n = 2; 3,4%). Em contrapartida, a substituição dos anticoagulantes orais diretos (DOAC) por AVK (n = 7; 7,0%) ocorreu principalmente em pacientes com Síndrome do Anticorpo Antifosfolípide (SAAF) (n = 3; 42,9%), além de alergia (n = 1; 14,3%), interação medicamentosa relevante (n = 1; 14,3%) e eventos hemorrágicos relacionados ao uso da rivaroxabana (n = 2; 28,6%). Conclusão Nesta coorte de pacientes com TEV, 71,0% dos pacientes estava anticoagulado com DOAC. Uma vez que essa medicação não foi incorporada pelo Sistema Único de Saúde, os pacientes adquirem o medicamento por recursos próprios, o que foi possivelmente viabilizado pelo advento dos DOACs genéricos. A substituição dos anticoagulantes ocorreu em 40,3% dos pacientes em anticoagulação e a instabilidade do RNI foi o principal motivo de troca de AVK para rivaroxabana (20,3%), reforçando o DOAC como alternativa prática em pacientes com controle laboratorial difícil. Já a SAAF foi o principal motivo da troca de DOAC por AVK em seguimento a recomendação de se evitar DOACs em uma parcela desses pacientes. Sangramento associado à anticoagulação motivou troca em ambas as direções, indicando necessidade de vigilância hemorrágica independente da classe. Esses achados reforçam que a escolha do anticoagulante deve ser individualizada e reavaliada continuamente.
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CARDOSO et al. (2026) conducted an observational in Venous thromboembolism (TEV) (n=429). Anticoagulation therapy (DOACs and Vitamin K antagonists) was evaluated on Anticoagulation profile and rate of anticoagulant switching.
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